Lei Paulo Gustavo - LPG Governo do RN

Foto de Graicy Karen da Cunha

Sou Graicy, mulher preta, filha adotada, 35 anos, mãe solo de duas crianças, militante ativa do movimento negro, formada em Administração de empresas, atualmente sou trancista, trabalhei durante 11 anos como produtora em Mossoró, onde nasci e me criei.Antes mesmo de me formar, já havia me apaixonado pelo trançar e foi em 2017, mesmo trabalhando com CLT, que comecei a entrelaçar o cabelo de outras, em minhas horas vagas, pra gerar renda extra pra mim e pro meu filho. Participei do primeiro fundo filantrópico de apoio profissional a mulheres pretas de todo o país, o fundo agbara. Nesta época desenvolvi habilidades que me fizeram querer trabalhar em escolas e comunidades mais carentes onde as jovens são esquecidas pelo poder público, levando até elas a história ancestral das tranças e oficinas que as possibilitaram aprender uma nova profissão, a de trancista. Já passei por Ifs, universidades públicas, escolas públicas e quilombo, através da minha arte. Em 2021 tive minha segunda filha, seguindo comi mãe solo pela segunda vez e fui demitida da empresa a qual trabalhava, durante a pandemia. Com isto, colhi o valor da minha recisão e me formalizei como trancista. Hoje, tenho meu salão de tranças na cidade e é através dele que consigo meu sustento e dos meus filhos. Fundei há um ano o coletivo pretas e pretos Mossoró, que tem o objetivo de reunir o máximo de pessoas negras e pretas da cidade, para que possamos combater o racismo através de várias atividades como por exemplo o Sarau do Coletivo que ocorre duas vezes ao ano, reunindo artistas negros da cidade, de várias áreas, estudantes perifericos para que a comunidade conheça seu talento, aprensentem pautas e discursões acerca do preconceito e de como podemos combatê-lo. Fui homenageada na Câmara Municipal de minha cidade, pelo trabalho que venho realizando a mais ou menos 8 anos com as pessoas mais vulneráveis financeiramente, sou uma pessoa politicamente ativa, que luta pelos direitos da população e cobra-os a administração de Mossoró. Continuo indo até escolas e universidades para provocar a reflexão sobre as pautas raciais. Faço parte do NEABI(núcleo de estudos afro brasileiro e indígenas) do IFRN Mossoró. Meu maior objetivo é trazer dignidade as mulheres periféricas e quilombolas, através do saber das tranças, onde elas possam adquirir sua independência financeira trançando outras pessoas.

Município de atuação:
Mossoró/RN