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Foto de ERLY SILVA FREIRE

Erly Silva Freire, também conhecido como Erly Aluã Potiguara, é liderança indígena da Comunidade Indígena de Rio dos Índios, localizada no município de Ceará-Mirim, Rio Grande do Norte. Com 27 anos, atua desde 2017 no fortalecimento da cultura indígena, da memória coletiva e na luta pelos direitos dos povos originários, desenvolvendo ações nos campos da cultura, educação, organização comunitária, saúde e políticas públicas.

Originário do território de Rio dos Índios, exerce papel ativo na gestão do Centro Comunitário Indígena de Rio dos Índios, espaço estratégico para a realização de ações culturais, educativas, sociais e de cuidado comunitário. A partir desse espaço, contribuiu para a criação e fortalecimento de um coletivo de juventude indígena, promovendo formação política, cultural e identitária, incentivando o protagonismo juvenil e a continuidade das lideranças indígenas no território.

Desde 2019, atua de forma intensa no Coletivo Trilha Guatá, iniciativa voltada ao etnoturismo comunitário, à educação patrimonial e ao fortalecimento da história e da cultura da comunidade indígena. As ações desenvolvidas incluem trilhas interpretativas, atividades ambientais, ações educativas em escolas e o resgate da memória histórica do território, com destaque para os impactos sociais do desastre geológico ocorrido em 1998, contribuindo para a construção de narrativas a partir do olhar indígena e para o fortalecimento da identidade territorial.

Erly também atuou junto à Associação de Mulheres Rurais de Rio dos Índios, espaço fundamental de organização comunitária onde se iniciaram processos importantes de reconhecimento institucional da comunidade indígena junto à FUNAI. Em 2025, foi sediador da assembleia da Associação de Mulheres Rurais de Rio dos Índios, reafirmando seu compromisso com o fortalecimento do protagonismo feminino, da organização social e da luta por direitos no território.

É membro externo do NEABI – Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas do IFRN, Campus Ceará-Mirim, atuando como representante dos povos indígenas em ações de ensino, pesquisa e extensão. Nesse contexto, participou de entrevista e articulação para o desenvolvimento de jogos digitais voltados às comunidades indígenas, com foco na valorização cultural, educação e acesso às tecnologias a partir da perspectiva indígena. Também articulou e promoveu intercâmbio cultural com estudantes e pesquisadores da Colômbia e do Equador, levando essas experiências para a Comunidade Indígena de Rio dos Índios e fortalecendo o diálogo intercultural e internacional.

Desde 2019, desenvolve projetos e ações voltadas à saúde mental em contextos comunitários indígenas, articulando cuidado, escuta coletiva, cultura e território. Em 2025, essas ações passaram a ser desenvolvidas de forma estruturada no Centro Comunitário Indígena de Rio dos Índios, ampliando o acesso ao cuidado em saúde mental de maneira culturalmente referenciada. Entre as iniciativas de destaque, articulou a visita de estudantes de Medicina da Universidade Potiguar (UNP) à comunidade, resultando na produção de um mini documentário apresentado na IV Mostra de Experiências Etnográficas no Campo da Saúde, contribuindo para a visibilidade das práticas de cuidado indígena e para o diálogo entre saberes tradicionais e acadêmicos.

Além de sua atuação no território, desenvolve ações com indígenas em contexto periférico, articulando cultura, identidade, educação, saúde e direitos humanos, contribuindo para o fortalecimento de redes indígenas e para a ampliação do acesso às políticas públicas culturais e sociais.

Enquanto liderança indígena, gestor comunitário e agente cultural, Erly Aluã Potiguara atua na articulação com escolas, universidades, instituições públicas, coletivos culturais e movimentos sociais, contribuindo para o fortalecimento das políticas públicas culturais e intersetoriais voltadas aos povos indígenas no Rio Grande do Norte.

Município de atuação:
Ceará-Mirim/RN